Sobre ser forte – Reflexões sobre a chamada ‘força feminina’

Hey, você aí?

Você tem dias ruins?

Eu não sei se você se sente assim, mas juro, muitas vezes me sinto mal, por mil motivos, mas quando paro e olho a minha volta, sinto culpa. Tudo que eu vejo são pessoas felizes, sorridentes, leves. Pareço injusta de reclamar. Engulo o choro e sigo em frente. Sem dar tempo pra mim. Sem respeitar minhas emações, preocupada apenas em parecer forte, mesmo sendo/estando tão frágil.

Será que só eu me finjo forte o tempo todo?

Outro dia fiz um post no meu instagram {@katygarcia.oficial} falando sobre não alimentar minha “tristeza” e respeitar o fato de não estar feliz e tudo bem.
Fiquei absolutamente impressionada com as mensagens que eu recebi. Senti que muitas pessoas não estão bem, mas fingem estar, não se abrem, não aceitam estar “mal” como algo comum…

Achei que estava sozinha, mas pelo visto eu não estou.
Confira meu texto na íntegra, clicando aqui.

Lendo cada comentário e mensagens recebidas no direct, percebi que muitas pessoas não aceitam a dor, o sofrimento, o luto, por não “serem aceitas”. A gente “finge estar bem” com medo do que as pessoas podem dizer.

Afinal, é muito difícil ouvir sem palpitar e muitas vezes quando a gente desabafa, nós queremos apenas ser ouvidas, acolhidas. Eu também já fui a pessoa que palpitou, é difícil demais ouvir sem dizer nada, somos formadores de opiniões, nos achamos tão experientes! Não, é? Mas essa atitude não é NADA empática.

Que toda essa reflexão sirva de lição.
Tenho certeza que você que está lendo esse texto, já se sentiu sozinha, com medo, triste, mas deixou de se abrir por medo de ser “criticada”, todas as vezes que tentou.

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Refletindo sobre meu sentimento desde o dia que eu resolvi me abri, percebi que durante muito tempo me fingir forte, não me fez mais forte. Muito pelo contrário. Eu acumulei dores e sofrimentos que não foram completamente digeridos e me geraram problemas… refletindo na minha saúde, no meu trabalho, na minha vida em casa e em família, em todos os sentidos.

Ou seja, fingir não é o caminho.

O caminho é compreender que é normal ficar triste, que faz parte do processo. Sentir a dor é essencial para deixa-la para trás. Além de ser extremamente importante pra seguir em frente mais leve.

Aprendi que preciso me acolher, aceitar minha vitórias, derrotas e me libertar do fardo que é ser FORTE o tempo todo. Pedir ajuda faz parte desse processo.

Eu não nasci para ser perfeita, eu nunca quis ser. Então bora ser o que posso, o que quero, o que realmente preciso, pra mim. Apenas.

Aprendi também, que preciso acolher mais. E quero compartilhar com você um lindo texto recebido por uma amiga muito especial no meu WhatsApp. Leia com muita atenção:

“quando alguém te procura com uma dor, essa pessoa não está procurando tapinhas nas costas e consolo medíocre. ela não está procurando uma visão romantizada que atenue a dor que ela sente – ou, pior, deslegitime. não está procurando promessas vãs de que essa dor no futuro será benéfica, está ensinando alguma coisa, é desígnio de deus, serve para um bem maior ou coisa que o valha. não está procurando questionamentos sobre o motivo da existência da dor ou sobre por que essa pessoa ‘ainda’ sofre por isso. não está procurando histórias de pessoas com doenças, desgraças ou dores supostamente maiores que a dela – isso nunca será consolo pra ninguém. não está procurando pregação da sua religião ou as palavras do seu deus que, naquele momento, soam apenas silenciadoras. e definitivamente não está procurando culpados.
quando alguém te procura com uma dor, essa pessoa confia em você. e tudo que ela precisa, por mais simples que pareça, é de acolhimento e empatia. um abraço, um ‘sinto muito’, ‘quer falar mais sobre isso?’ – com ouvidos realmente dispostos, ‘estou aqui com você’. um colo livre de julgamentos, de réguas comparadoras de sofrimento.
a princípio pode parecer difícil não falar todas as frases prontas que estamos acostumados a ouvir e repetir… mas é importante respeitar a dor do outro, o momento de sofrimento, o luto, a tristeza. com amor, com carinho, com suavidade. sem frases prontas, de coração aberto, ouvidos atentos, colo receptivo.
a gente já sabe que tudo passa. mas enquanto não passa a dor pode parecer insuportável… e nada tem maior poder de alívio que o acolhimento de quem a gente ama.

PS: se você não tiver nada disso pra dar – colo, empatia, ouvidos, carinho – seja sincero. ‘sinto muito, não posso te ajudar nesse momento’. pode ser incômodo de dizer e ouvir mas vai doer menos que deslegitimar ou minimizar uma dor que você não conhece.

Vamos ser melhores? Conosco e com quem precisar?

Abraço apertado e até logo!

Xaú!

Katy

 

 

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